sábado, 17 de fevereiro de 2018

A chuva caindo
Soa como lamento
No telhado
Ao meu lado
O café esfria
Enquanto me perco
Olhando sua foto
Impressa na retina
Queria esquecer
Lágrimas brotam
Do meu peito
Escorrendo pelo seio
Que você tanto admira
Vou me diluindo
Querendo morar no seu dia
Ser seu sol
Sua guia
Luz no seu olhar
Sua indiferença, punhal
Corta minha pele
Fere, sem curar
Meu coração é céu cinzento
Nem parece carnaval
Nem parece amor
Onde tudo é permitido
Menos chorar


Das profundezas

Queria verter
As palavras
Afundadas
No meu peito
Fazer
Com que as dores
Ancoradas
Seguissem um rumo
Deixando
Meu coração
Mais leve
Menos duro

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018



Sobre plagiadores

Podem copiar
Mas nunca serão
Carne dura
Coração mole
Peito aberto
Tempestade
Pode colar
Mas não ficarão
Pele preta
Cabeça aberta
Quente
Como vento de Oya
Pode desejar
Mas nunca terão
Brilho de ouro
Peso
Só as escolhidas
São coroas por ela
Oxum no sangue
Oxalá, meu rei
Só existe um caminho
Uma estrada
Só existe
Uma Ornella
Filha de Ondina e Orlando

Fique alerta!

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018



Ainda sentia na pele
O calor do seu abraço
Era tarde da noite
Não havia outro caminho
Além dos trilhos do VLT
Cheio de craqueiros
Ou a ponte dos Barreiros
E seus bêbados
Sigo com fé
Coração longe
Lembrando do quanto
Tenho sorte
Ogum vai na frente, sempre
No meu peito
Sinto o peso do seu corpo
Ainda quente
Forte
Na boca
Gosto de pó e cerveja
Doce, amargo
Mistura explosiva
De tesão e ódio
Segue meus pensamentos
Cruzando
A praça da Santa
Perdida, inquieta
Peço mais um vez
Não solta a minha mão
Outro beijo
Um abraço
Será que existe amanhã
Pra nós?

Não teve..
Fiz da cidade
Meu corpo
Nela
Entreguei meus desejos
Minhas vontades
Beijei a boca dos homens
Como se fosse
Seu asfalto
Senti suas valas
Correndo
Nas minhas veias
Como sêmen
Do homem amado
Fiz da cidade
Minha religião
Despachei meus ebós
Feitos de amor e fé
Rodei por suas ruas
Em busca de abraços
De laços
Não tenho paradeiro
Nem governo
Fiz da cidade
Minha poesia
Deitei na cama
Dos infiéis
Bebi seu sangue, sua saliva
Derramei sobre lençóis
Minha alma
Minhas lágrimas
Transformei toda dor
De amor
Em frases sem sentido
Cantei para estranhos
Baladas secretas
Fiz da cidade
Meu tudo, meu nada
E por viver nela
Assim, tão descuidada
Me sinto estuprada
Por aqueles
Que não souberam me amar
Segue meu lamento
Segue meu coração
Destroçado
Como os jardins da praia
Abandonados
Na solidão

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018



não me preocupa
amor
quem passa
pelo seu corpo
pede ou recebe
seus beijos
que você dá
por fome ou paixão
me importa de verdade
amor
se não é minha
lembrança
que vagueia
na sua retina
se não moro
nos seus sonhos
se se sou
que habita e faz bater
seu coração


2018.


A chuva que bate
Fazendo som de lamento
No telhado
O café esfria ao meu lado
Enquanto olho sua foto
No celular
Lágrimas brotam
Do meu peito
Escorrendo pelo seio
Que você tanto admira
Vou me diluindo
Querendo morar no seu dia
Ser seu sol, sua guia
Luz no seu olhar
Mas a mensagem
Que ainda não foi respondida
Dói na minha carne
Com sua indiferença, punhal
Nem parece carnaval
Nem parece amor
Onde tudo é permitido
Menos chorar


2018.

A chuva caindo Soa como lamento No telhado Ao meu lado O café esfria Enquanto me perco Olhando sua foto Impressa na retina Queria esquecer L...