domingo, 16 de setembro de 2018

Minha mãe, meu lado espiritual, estudo, consciência
Meu pai, a beleza, o romantismo, a adoração
Meu irmão, a luta, a militância, a subversão
Minha irmã, a coragem, a vaidade, a doação

Entendi tudo agora!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Eu pensei em não te escrever.
Pensei em deixar tudo como está, e tudo bem.
Tá tudo bem.
Cada um vivendo sua vida, assim que deve ser.
Será? Não sei.
Sempre existiram dúvidas no meu coração.
Acho que por isso ele é selvagem, nem tanto indomável. Questão de ser e não estar.
Quem sabe?
Mas não vim falar sobre minhas dúvidas, vim falar de certezas.
E é certo que te machuquei e magoei muitas vezes, em várias situações que nem sequer percebi, e que isso também me machucou, muito.
As palavras saem do meu peito feito lâmina, cortando tudo que vê pela frente, as vezes tenho medo de mim mesma.
Mas são só palavras, não são sentimentos, são só palavras vazando de mim.
Nada do que disse é o que eu sinto.
E eu sei que você sabe.
Só sinto em ter que dizer isso, assim, escrito e ter perdido as oportunidades de me abrir, sem medo.

Minha impulsividade, minha paixão, é minha insensatez. Me perdoe, mas tudo é demais aqui dentro.

Não tô querendo justificar, mas já justificando, é que tua ausência sempre me inquietou, sempre me casou saudade e fome, sim, eu sinto fome.
E quando senti tão latente, tão forte, não tive outra opção a não ser gritar.
Gritar, xingar e odiar o mundo por não estar com você. Eu sei, não foi legal.
Mas é assim mesmo, e eu tento controlar.

Queria dizer também que a distância é uma aliada nossa.
Que o tempo é cura.
E que o passado não me importa mais.

Só desejo agora que daqui pra frente, pouco a pouco, a gente possa se encontrar num lugar mais leve, mais bonito, mais tranquilo.

Talvez seja mesmo no tempo da delicadeza, da amizade, do companherismo, ou só se ver na rua mesmo, se abraçar e dizer que tá tudo bem. "Até um dia, fica bem."

Mas será que consigo?
Será que um dia vou superar teus olhos?
Mais que a fome que arde em meu peito, são seus olhos na minha retina em tudo que vejo.

Não consigo dar adeus, no máximo só um até breve.
E também não sei terminar essa carta sem dizer que te amo.



Ornella Rodrigues. Vênus em touro. 2018.

terça-feira, 24 de abril de 2018



Não como

Não bebo




Melhor assim

Menos um kilo

Quem sabe assim

Ele ainda

Vai me amar




Não bebo

Não como




Melhor assim

Porque não tenho

Dinheiro

Pra pôr em casa




Não bebo

Não como




Melhor assim

Fico focada

No trabalho

Esqueço dos dias

Que estão por vir




Não bebo

Não como




Seca a garganta

Ronca o estômago

Mas sigo

Vertendo

Água salgada




Não bebo

Não como



Adoeço

Padeço




2018.

sábado, 7 de abril de 2018


lembro de todos
os cortes
do sangue escorrendo
ardor em meu peito
não escondo minhas cicatrizes
afinal
pra ter um coração selvagem
é preciso lidar
com todas as marcas
ter orgulho
de apresenta-las, assim
em carne viva

sexta-feira, 16 de março de 2018



Parei
De contar
Quantas camas frias
Já esquentei

Quantas
Bocas mentirosas
Beijei

Foram tantas
Inúmeras
Quedas
De joelhos
Em frente a membros
Mortos

Que pela minha
Oração
Entraram
No céu do gozo


Pelas minhas
Mãos
Pernas
Pela minha vulva
Sempre úmida

Todos
Se aqueceram
Se embriagaram
De mim

Até que
Saciados
Deixaram meu
Corpo

Meu coração
Cada vez mais
Gelado

quinta-feira, 15 de março de 2018



Quem morre
Quem sofre
Quem fica
Na dor
No corte

Quem vela
A sorte
Quem dá
Suporte
Sofre

Quem fica
Não
Segue
Forte

Mulher negra
Presente!

Mais um
Ano
Dia
Continuo
Sem saber
Quando desatar
Esse nó
Existe nós?
Continuo
Sem saber
Sempre
A sombra
Perdida
Sou barco
Sem rumo
Naufrágio
Em seus olhos
De mar

Minha mãe, meu lado espiritual, estudo, consciência Meu pai, a beleza, o romantismo, a adoração Meu irmão, a luta, a militância, a subvers...