sábado, 7 de abril de 2018


lembro de todos
os cortes
do sangue escorrendo
ardor em meu peito
não escondo minhas cicatrizes
afinal
pra ter um coração selvagem
é preciso lidar
com todas as marcas
ter orgulho
de apresenta-las, assim
em carne viva

sexta-feira, 16 de março de 2018



Parei
De contar
Quantas camas frias
Já esquentei

Quantas
Bocas mentirosas
Beijei

Foram tantas
Inúmeras
Quedas
De joelhos
Em frente a membros
Mortos

Que pela minha
Oração
Entraram
No céu do gozo


Pelas minhas
Mãos
Pernas
Pela minha vulva
Sempre úmida

Todos
Se aqueceram
Se embriagaram
De mim

Até que
Saciados
Deixaram meu
Corpo

Meu coração
Cada vez mais
Gelado

quinta-feira, 15 de março de 2018



Quem morre
Quem sofre
Quem fica
Na dor
No corte

Quem vela
A sorte
Quem dá
Suporte
Sofre

Quem fica
Não
Segue
Forte

Mulher negra
Presente!

Mais um
Ano
Dia
Continuo
Sem saber
Quando desatar
Esse nó
Existe nós?
Continuo
Sem saber
Sempre
A sombra
Perdida
Sou barco
Sem rumo
Naufrágio
Em seus olhos
De mar

quarta-feira, 14 de março de 2018

Preciso escrever
Palavras
Que me afogam
Jogá-las
No mar do meu
Desassossego
E deixar
Meu corpo
Leve
Solto
Pra enfrentar
Mais um dia
De naufrágio
Bate
No meu peito
Saudade
Das horas
Em que
Seu olhar
Seu abraço
Sorriso
Eram porto
Seguro
Pro meu cansaço
Ancorar

segunda-feira, 12 de março de 2018

Fiz dos meus dias
Entrega
Saltos e quedas
Com começo
Meio
E fim

Pra que quando
Chegasse
No bater
Das horas
E meu corpo
Cansado
Fosse misto
De prazer e solidão

Tivesse a certeza
Que cada segundo
Cada minuto
Fui inteira
Sem arrependimentos
Nem medo

lembro de todos os cortes do sangue escorrendo ardor em meu peito não escondo minhas cicatrizes afinal pra ter um coração selvagem é ...