domingo, 29 de maio de 2016

Pra quê
Lutar
Contra a
Correnteza?
Porquê
Andar
Contra o
Vento?
Deixar
Levar
Conduzir
Não se
Prenda
Bom
Mesmo
É não ter
Controle
De nada
Ser
Levada
Lavada
Pela
Água

sexta-feira, 27 de maio de 2016

30 Homens e nenhum questionou
30 homens e todas mulheres morreram um pouco hoje.
30 homens e todas mulheres não vão dormir hoje.
30 homens e o medo de sair só cresce.
30 Homens e são elas por elas.
30 homens e um estuprador é recebido pelo MEC
30 homens e o ódio pelas mulheres continua...

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Sou eu que tô demais
Ou são os outros
Que tão menos?
Porque, olha
Não ta fácil!
Haja água pra desaguar
Haja lenha pra queimar
Tá tudo pouco
E eu sou tanto!
Deve ser a lua cheia
Deve ser véspera de aniversário
Deve ser os 40 chegando!

terça-feira, 24 de maio de 2016

Presentepoema III

Ornella

Quando nua em todo seu encanto,
Debruçada sobre a janela,
E coberta em lirismo,
Para os poetas, pecadores e santos,
É a mulher e poetiza Ornella,
Poema contra o ceticismo.

 Francisco Carvalho

Presentepoema II

Para Ornella

Sentei-me à beira d’água
À espera dela
Mas o espelho d’água me revelou
Quem eu era

Desfiz aquela imagem
E não me reconhecia
Mas as águas corriam-me entre os pés
E me refaziam

Bebi da água
Bebi de mim mesma
Me perdi em mim
Pois sou correnteza

Aline Djokic

Presentepoema I

nasce
(re)nasce
uma poeta
metamorfose
sedutora
da cor de canela

Márwio Câmara
Todos os meus dias
São pra amar Oxum
A ela
Devo minha vida
Meu espírito
Meu brilho
Sou filha da Yalodê!
Sou filha d'Oxum!
Obrigada minha mãe por mais um dia

Ora iê iê ô!

domingo, 22 de maio de 2016

Se você querer
Eu quero
Se você pedir
Eu faço
Se você pular
Me jogo
Se você deixar
Te como
Se não rolar
Lamento
Não sou de marcar
No ponto
Mas se tu chegar
De pronto
Se tiver no clima
Esquento
Vermelho
No lábio
Fogo
No corpo
Você
Procurou
Calmaria
Encontrou
Vendaval
Não sei
Explicar
Mas tudo
Aqui dentro
Queima
Tanto
Que o sangue
Ferve
Quando
Pecebo
Tô lá
Ventando
Levando tudo
Como uma
Enxurrada
Minha
Essência
É feita
Mel e dendê
Nada que um banho de
Cravo
Canela
Aniz estrelado
Noz moscada
Louro
E amor de Osun
Não cure
Se não curar, ainda
Alivia
Fecha as feridas
E segue a vida!

Ora iê iê ô!

sábado, 21 de maio de 2016

Eu escrevi
Minha poesia
No seu
Corpo
Deixei
Minha marca
No seu pescoço
Uma mancha
De gozo
No seu colchão
Você pode
Tentar
Me esquecer
Você pode
Transar
Com várias
Namorar
Tantas
Outras
Mas o cheiro
De cravo e canela
Que entrava
Pela sua porta
Só eu levo
Só eu tenho

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Hoje é um dia muito significativo
Sexta de Oxalá
De vênus
Dia da falsa abolição
13 de maio
E também dia das almas
Dos pretos
Das pretas
Que lutaram fortemente
Contra a escravidão
Um dia de reflexão
Um dia de crítica
Um dia de fé
Mas principalmente
Um dia pra se ter coragem!
Vou colocar minha guia
Usar branco
E caminhar
Lutar
Resistir
Porquê o passado fez sua parte
E hoje?
Quem pegará em armas e lutará por sua liberdade?

domingo, 8 de maio de 2016

Eu ia fazer
Uma poesia
Mas me lembrei
Que tu nunca
Leu um verso
Meu, escrito
Entre lágrimas
Entre gozos
No seu corpo
Eu te dei tudo
Te dei muito
E você queria
A única coisa
Que não posso te entregar
Minha liberdade!
Marginal
Não é
Quem vive
"A margem"
E sim
Aquele que
Mergulha
Até o fundo
Passei o dia
Digerindo sua presença
A garganta inflama
Impedida de gritar
Não falei
Cansei de ensaiar
As palavras que iria dizer
Me calei, covarde
Vendo você ali
Como num sonho
Declinei
Fui ventar
Desaguar
Toda dor
Todo amor
Lá me deixei
Talvez todos
Saibam
Estava nos meus olhos
Ou é impressão minha
Que enquanto
Eu viver nessa cidade
Não vou ter paz
Seu nome esta
Em todo cartaz
Que eu vejo na rua
Quero fugir
Eu sou aquela
Que não tem nome
Aquela que nunca existiu
Na sua vida..
Vou parar
De escrever
Vou parar
De me expor
De sangrar
Vou guardar minha dor
Minhas lágrimas
Não vale a pena
A caneta
O papel
A poesia me salvou
Mas não me curou

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Palavras não
Expressam
O suficiente
Mas o corpo
Sim
Ele fala
Age
Subverte
Toda a lógica
Além de um ponto
E vírgula
Meu corpo
Fala
Reclama
Exclama
Chama
Com todos os
Sinais
"Vêm!"
Depois de uma
Duas taças
De vinho
Um beck
Velho
meia dúzia
De amendoins
Tomei coragem
Sai no frio
Nua
Crua
Em sua direção
Gritando pela rua
Seu nome
Maldito
O..
Dia
Que te conheci

os dias passam feito nuvens de chuva não consigo esquecer nossa noite teu rosto desenhado na minha retina cada gemido cada mordida ...