quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Posso ser
Chuva
Tempestade
Mas também
Posso ser
Brisa
Em dia quente
Depende do tempo
Se virar
Eu vento
Depende, se gritar
Eparrei!
Tô lá!
Depende de quem
Oya!

tempestade

O acaso
Me atraí
Mais que o caminho
Se provocada
Faço ventar
Me perco
Num redemoinho
Sigo afluente
Do rio
Desejando sua sabedoria
Mas me percebo
Quente
Úmida
Como as tardes de verão
De repente
Relâmpeio
Muda o tempo
Pretejando o céu
Viro tempestade

queria fotografar
aquele momento
a ultima vez
que te vi
olhar
toda vez
que sentir você
sumir
da minha mente
do meu coração


(como superar seus olhos?)

vênus em gêmeos

Aquele fala que corta
O coração
Engasga
Prende o choro
Já sinto sua falta
Sem dar adeus
Já sinto sua falta
Mesmo quando
Tu estas aqui
Ao meu lado
Desculpe
Sou repetitiva
Desculpe
Voltei porque queria
Ficar

Desculpe
Mas só penso
Em partir..
Se
Você
Tem
Medo
De
Voar
Não
Prenda
Pássaros
Na
Sua
Gaiola
De
Egoísmo
A força do rio
Se mostra
Na queda
E não há
Entrega
Mais forte
E verdadeira
Do que
A água
Quando
Encontra
A pedreira



mel & dendê

Entrar
Como
Brisa
Sair
Como
Vendaval
Fazer
Chuva
Virar
Tempestade
Sou
Dessa
Qualidade
Que
Vira
O tempo
Doce
Azedo
Fria
Porém
Ardendo
Meu
Ímpeto
É
Mel

Com
Dendê
Não
Sei
Explicar
Tudo
Que
Emerge
Em mim

Sei
Que

Quero
Voar
Virar
Nuvem
Foge
Comigo?

despedida

Quem me vê caminhando tranquilamente pelas ruas
Não faz idéia do que se passa na minha mente
Olho cada casa, flor, borboleta
E vou me despedindo
Num sorriso
Num aceno
As pessoas não imaginam
Que pode ser meu último dia
Vestido branco
Cabelo recém pintado
Unha feita
Quero que me vejam solar
Mesmo em dia nublado
Já me despedi de todos
Mesmo que eles não saibam
Cada palavra era um adeus
Olho pro céu
Vejo somente nuvens
E o pensamento é não existir
Minhas gatas não saem de perto
Parecem adivinhar que meu destino
Sera o mesmo que o delas
Não as deixarei só
Irão comigo onde eu for
Nossa passagem já foi comprada
E esteve guardada
Numa gaveta desdo ano passado
Ah, já faz um ano?
Não, muito mais..
São 36 anos de agonia
Uma alma aflita
Atormentada
Consciente que esse mundo
Não lhe pertence
Que nada lhe cabe
Deixarei minhas dores
As mágoas
Todos os dedos que me foram apontados
O desamor
Abandono
Deixo também meus erros
Essa culpa que dilacera meu peito
Por ter sido uma péssima filha
Uma irmã
Uma amante
E uma mãe
Deixo esse mundo
Entregando-me a natureza
Este corpo cansado
Por fim, definhará
Alimentando o solo
Fertilizará
Germinará
Brotará
Águas
E finalmente renascerá rio
Minhas amizades
São como amores de verão
Me apaixono perdidamente
Pelas pessoas
Por seus calores
Gostos cítricos
Como uma brisa que vêm
Refrescar minha pele
Depois da praia
Mas dura pouco
Tão fugaz
Tão arrebatador
Que as vezes trás dor
Mágoa, ressentimento
Ao mesmo tempo
Tão bom
Tão intenso
Fazendo minha alma
Sentir-se viva
Sempre!

desapego

quanto mais te quero
mais você foge
quanto mais te desejo
mais você some
não corro atrás de ilusões
nem me prendo a elas
vou me libertar dessa paixão
que me consome
deixo você ir
e me deixo assim
pois já não caibo mais em mim
meu coração transborda
para além do rio 

que nele habita
ate breve
ou até um dia
quem sabe

sem remetente

Eu sinto falta da cumplicidade
Do olhar preso no outro
Das mãos unidas
Toques suaves no cabelo
Nas costas
Mas nas minhas recordações
Nada era verdadeiro
Quando depois vinham gritos
Coisas atiradas no chão
Choro compulsivo
Ou quando parecia uma estranha 

Depois de tanta intimidade
Quando dizia adeus
Sem palavra nenhuma
Aprendi que depois do afago vêm a dor
Que depois da dor vêm o afago
Hoje eu não sei o que é carinho
Hoje eu não sei o que é amor
Hoje eu só sei fugir
Correr de qualquer sentimento
Mesmo querendo ficar
Mesmo querendo sentir

Parafraseado Elisa Lucinda
O homem que me amar hoje 
encontrará vários lá dentro
mate-os, esquarteje, queime!
Todos eles me ensinaram que amar é sofrer 
e que carinho é sentir dor.


(Eu sei que você não vai ler, mas precisava, ao menos, escrever)

lamento

Lamento
Não tenho 

Leveza de fadas
Nem pele alva
Sorriso aberto
Pés no chão
Lamento
Não tenho pudores
Não me contenho
Sou o profundo
E tão fundo
Que até me esqueço
Lamento
Não sou sua querência
Nem sua imaginação
Não sou
Sou eu, apenas
Lamento

Se
Não
Fosse
Ogum
Qual
Quem
Como
Seria
Minha
Arma
Dura
De
Ferro
Sangue
Mariô
Ogum
É
Meu
Braço
Minha
Veia
Meu
Ímpeto

escorpião

Era melhor
Acreditar
Que era amor
Quando o beijo
O toque das mãos
Diziam não
As bocas unidas
Corpo estremecendo
Gozo
E depois?
Nada
Nenhuma palavra
Não era amor
Era paixão
Uma vontade
Incontrolável
De estar
Dentro do outro
De pertencer
Afogar
Como esquecer?
Não sei
Seu ferrão me feriu
Tão profundo
Tão íntimo
Que busco cura
Em outros
Venenos

Tão
Previsível
Como
Um
Céu
Cinzento

noroeste

O dia amanheceu quente
Vento forte
Céu cinzento
Parece que vêm chuva
Enquanto meu chá esfria
Lembro mais uma vez
Seus olhos
Cabelos
Volta pro chão Ornella
Num gole de chá frio
Amanhece
E eu tento acordar
Olho pro céu
Esperando a chuva
Olho pro teto
E vejo seu olhar
Tão forte é o vento
Tudo voa lá fora
O quintal sujo
Cheio de folhas
Roupas balançando
No varal
O céu cinzento
O vento
Seus olhos
Cabelos
Ainda não choveu

Recado pra atual do meu ex

Sei que você vai ler este post
Afinal, ele te contou sobre mim
Ou você descobriu?
Aposto que esta curiosa pra saber quem sou
Pois bem
Eu sou aquela que ele namorou, ficou, transou
Durou pouco
A paixão é fulgaz, ele disse
Mas ele busca um amor verdadeiro
Palavras bonitas
Doce na boca
Falou que eu era inteligente
Sensual
Atraente
Que instigava suas fantasias
Gostava que eu fosse feminista
Tão interessante
Recitou poemas
Me fez poesia
Dedicou músicas
Falou de amor
Do seu tesão
E quando me provou
Ah, já não tinha mais graça
Virei piada
A mal amada
A louca que lhe oportuna
Lhe segue
Incomoda
Mas preciso saber o porquê
Não sou mais inteligente
Sensual
Atraente
E não é sua culpa
Não é minha culpa
É ele!
Desculpe amiga
Te dar essa notícia
Assim, meio bêbada
Fora de mim
Mas eu precisa dizer
O mesmo que fez comigo
Ele fará contigo
E com outras
Outras
Outras..



Ele fala que é instinto
Mas nós sabemos que é machismo!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

o primeiro me chegou...

eramos loucos
de paixão
de tesão
sem medida
chão
cama
cozinha
eramos insanos
briga
ciume
posse
eramos
não somos
mais
hoje é saudade


(feliz aniversário, primeiro sagitário)

encontro

Só de ver
Seu corpo
Me acende desejo
Explode
Cada toque
Inflamo
Cada beijo
Amoleço
Perco o juízo
Me agarro
Em seus cabelos
Você é meu vício
Cada dose sua
Meu suplício
E toda noite
Eu te imagino
Te quero
Te preciso
Nesse calor
Ardência pós praia
Sua pele quente
Vermelha
Cheiro de maresia
Insenso
Terra molhada

dá e passa

Não sei lidar
Com ausências
Falta tudo
Dinheiro
Cigarro
Vinho
Comida
Mais falta
Muito
Você
Esse vazio
Que inunda
Teu corpo
Atormenta
Cada buraco
Do meu ser
Preenche
Com beijo
Braços
Calor
Seu pau
Ah,
Que falta faz!

(dá e passa)

águas I

Queria estancar
Esse suor
Que saí do meu corpo
Quando te vejo
A saliva
Esperando teu beijo
Tudo é fome
Sede
Uma vontade de
Não pertencer

Ser
Estar
Me largar num canto
Do seu apartamento
Ao lado
Dos seus pedais
Desculpe
Me entrego demais
Sofro demais
Água sem represa
Saí
Suor
Saliva
Seiva
Saí, não volta mais..

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

viragem

pela
noite
a
dentro
vento
vira
tempo
venda
val

sobre tudo

As vezes
Quase sempre
Acho que
Estou
Demais
Falo
Demais
Vivo
De mais
Não tenho
Medida
Sofro de excessos
Rio
É
Um
Caminho
Sem
Volta
Não tenho
Pretensões
Literárias
Minha poesia
Não tem
Interlocutor
Escrevo porque
A voz
Embarga
Escrevo
Porque não
Caibo mais
Em mim
Escrevo
Para não
Enlouquecer
Eu queria
Ser
Comum
Desejar
Coisas
Comuns
Viver
De
Maneira
Comum
Mas não
Eu
Só suporto
Viver
O
Extraordinário!

sobre tempo

Algumas
Histórias
Tem
Começo, meio e fim
Outras
Começam
E já
Pulam
Pro
Final

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

despedida

Sigo, 
passos firmes
Olho pra trás
Uma
Ou duas
Vezes
Te vejo
Estático
Encruza da vida
Digo, pela última vez
Adeus
E por ser ateu
Tu duvidas
Permanece
En cruz
Não me segue
De mim
Já se esquece
Te vejo
Estático
Cético
Não há
Despedida
Não há
A deus
Não há..
Um mês
E todo dia
Você me visita
Mas peço
Hoje
Com essa
Chuva
Frio
Vai embora
Saudade

só rio

você me deu
poesia
te dei
paixão
erramos 
a dose
tudo
ficou 
demais
suor
lágrima
tesão
perdão!
com fundo
amor
amizade
sexo
com aperto
de mão
transbordei
não voltei
agora
só rio...

passaram se...

Depois 
de você
parece 
que vivo mais
sorrio mais
depois você
voltei a sentir 
o sabor
da fruta mordida
do vinho
da saliva
a comida 
tem gosto diferente
mesmo 
o trivial
tem mais 
tempero
depois 
de você
não me divido 
com ninguém
todos 
os segundos 
são
pra pensar 
em mim
nas viagens 
que vou 
fazer
na roupa 
que quero 
vestir
os livros 
que vou ler
depois de você
minha cama 
ficou maior
ouço músicas 
que gosto
ando nua 
pela casa
depois 
de você
depois 
de vocês
que passaram
eu passarinho...


É mais
que 
desamor
perda
desencontro
aquela 
música piegas
da banda
que 
você gosta
É não ter 
paradeiro
ser
nuvem
sonho
viver só
sentindo
fluindo
eu procuro
chão
como 
um barco
busca
cais



(lembra que o plano era ficarmos bem? Não fiquei)
sempre me pergunto
será que você me lê?
em algum momento
do seu cotidiano
além de lembrar do meu corpo
sexo, cheiro
você me leu
será?
Que me enfrentou,
encarou?
Enxergou nas entrelinhas
além da superfície?
Acho que não
Se tivesse lido
quem sabe
tudo seria diferente
ou não seria

nada
eu já nasci 
exposta
nua
chorando
desfazendo 
um laço
aprendendo 
a respirar
sozinha
então 
não me diga
o que devo 
vestir
guardar 
meu choro
por onde
devo
seguir
eu sei 
muito bem
como viver
minha 
vida



já lavei
as cortinas
mudei
os moveis
troquei
os lençóis
mas você
ah, você!
ainda
não
foi

embora

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

menina dos olhos
é água
deslizo
fundo dos olhos
marejando
profundando
afogando
é água
correnteza em sentidos
sem destino
deságua

terça-feira, 4 de agosto de 2015


Não sei
Se é falta
De chão
Sua ausência
Se é a lua
Em escorpião
Só sei
Que cada
Segundo
Minuto
Me sufoca
E eu preciso
Estar
Nua


quarta-feira, 29 de julho de 2015

desabafos I

tu sabe.. 
eu sou assim.
a intensidade acaba transbordando 
pra muitos lugares,
nem sei onde paro 
ou onde começo
eu tento me conter,
até mesmo não me consumir
tenho medo do fogo
não da queimadura
sou assim.
confusa, 
sem nexo..
ainda me descobrindo,
me encaro
desencontro
fujo
as minhas vontades mudam,
mas meus desejos não

domingo, 26 de julho de 2015

sobre o tempo

o que é o tempo
além do espaço
horas
segundos
dias
meses
muitos dias
um novo corte
de cabelo
um novo emprego
casa nova
um novo amor
uma paixão
eu sinto
sinto tanto que padeço
queria apagar
alguns dias
segundos
horas
queria ir além
apagar alguns anos
algumas lembranças
aquela foto
já apaguei
mas a dor não
é pouco tempo
pra tanto sentimento
o relógio não volta
não para a
dor
magoa
mas tem o tempo
tem a chuva
a primavera
e o sol
que virá amanhã
por que já é tempo
de renascer

sexta-feira, 24 de julho de 2015

amores líquidos

Homens líquidos
Escorrem entre os dedos
Sensíveis
Magoam-se por qualquer motivo
Sonhadores
Te esquecem quando
Perde o interesse
Frios
Não demonstram sentimento
Reclusos, adentro
Fluídos
Homem marinheiro
Homem peixe
Homem veneno
Uns te enfeitiçam
Canto do sereio
Outros te aprisionam
Lábia de mandingueiro
Pra quem se atreve
Não tem medo
De se afogar
Homens de água
Pra quem sabe
Ou quer nada(r)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

blues

sabe porque dói?
antes nós eramos
amigos
confidentes
cúmplices
hoje não sabemos nada
do outro
o que um pensa
ou sente
perdidos
entre o desejo
e aquela cerveja barata
antes eu te contava segredos
anseios
devaneios
você fumava
enquanto refletia
sobre o livro que você leu
eu ria
te contava uma música nova
que descobri
"you kown that Im not good"
poderia ser nossa trilha
tão real
aberto
sincero
olha aquele cara que eu comi
aquela mina que tu ficou
invertemos
agora você é o cara
and Im just a fuck!!
sad..

segunda-feira, 13 de julho de 2015

ascendente

Pareço chão
Mas sou vento
Pareço pedra
Mas sou balão
Pareço terra
Mas sou nuvem
Pareço fortaleza
Mas sou vertigem
Pareço real
Mas sou (só) sonho

quinta-feira, 9 de julho de 2015

terragem

eu busco
alguém
que suporte 
essa intensidade
um transbordar
sem limite
razão
alguém
que ponha a mão
no fogo
sem medo
nem pudor
alguém
que sacie a fome
mate a sede
sabia me calar
prenda meu corpo
e o segure no chão

sábado, 4 de julho de 2015

escudo

Ogum é escudo
que uso pra guerrear
É quando crio coragem 
e enfrento o medo
A cara fechada também é Ogum
Porque meu sorriso pode desarmar
e eu quero mesmo 
é a guerra
meu corpo em movimento 
é todo de Ogum
As mãos balançam
como um giro de um facão
mas por dentro é água
No fundo dos olhos
revelam
só vê quem quer.. 

nada

como a calmaria
do rio, deslizo
fluindo
não há rocha
nem pedra
no meu caminho
sou aquela
que não se prende
não se barra
nada
eu digo, nada
pode impedir a água
de seguir seu destino...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

crença

Você não acredita em Deus
Na astrologia
No destino
Cético
Só vê razão na existência
De dois corpos
Unidos pelo acaso
Movidos
Sem motivo
Além do desejo
Eu, instintiva
Sinto nossas
Vidas, unidas em
Conjunções carnais
Revoluções solares
Lunares
Até mesmo
Infernos astrais
Que nos tornam
Predestinados
A não estarmos juntos..

quarta-feira, 24 de junho de 2015

passado no passado


já não escrevo mais 
sobre meu ultimo ano
esse é meu último post(poema)
que fique escurecido
aqui você não vai encontrar
nada sobre ele
é tudo sobre mim
sobre o que senti
(ainda sinto)
passei da fase de ter
pena de mim mesma
o que tivemos (eu e ele)
se foi
e não voltará
não há amor
carinho
tesão
empatia
nada
só um resto de dor
desprezo
desesperança
pois eu confiei
eu acreditei
e fui enganada
hoje não consigo
nem amar, nem ser amada
e peço que me entenda
que releve minha loucura
sei
tudo passará
só não serei mais a mesma

lista de tarefas

desentalar palavras
controlar fogos
guardar espadas
engolir afetos
por último
mais importante
saber nadar

esquecer 
que te encontrei
me apaixonei
deixar partir

terça-feira, 23 de junho de 2015

sobrevidas

Escrevi uma carta de amor
Não sei se envio
Se posto no blog
Ou engulo como toda raiva
E rancor que ainda sinto
Que me impede de amar
Outra pessoa além de mim mesma
Sim, eu prefiro me amar
Questão de sobrevivência
Eu sou uma bomba atômica
Cheia de re_sentimento
E foi tu que encheu de pólvora
Coitado daquele que me conhecer depois de ti
Coitado

domingo, 21 de junho de 2015

sobre escolhas

quem eu escolhi?
aquele que me tira
do chão
aquele que é
errado
torto
mas que me sente
fala com os olhos
senão fosse assim
não seriam 9 anos

de espera
de encontro
não seria eu
né mesmo?

sábado, 20 de junho de 2015

sobre ser água

existe uma querência 
de tudo
que só quem
vive de água possui
eu tenho
vivo com ela
e não consigo 
mensurar
se é fome
sede
só sei que 
quando tento escrever
as palavras se diluem
apenas sinto
viro enxurrada
correnteza
incerteza


sexta-feira, 19 de junho de 2015

tempestade

quando o céu preteja
trovoa
relampeia
o vento forte 
anuncia:
lá vêm ela!
a força mora na água
que mata
fertiliza
inunda
me preenche

não tenho medo
enfrento
"eu gosto é do estrago"

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Eu sinto é paixão 
Gosto do estrago 
Combustão 
Me perder
Depois de encontrar 
Corpos, ah braços!
Num re lance..
Salto sem olhar
Não sinto a queda
Me alastro
E o que vier
Depois
Me refaço
Não sou do amor
E ele não é meu
Amor se constrói
Casa de alvenaria
E eu não tenho tijolos..


deusa das águas

Oxum é meu alento
em suas águas
me lavo
curo minhas feridas
renasço
graciosa mulher
que no seu ventre
me harmoniza
luz que irradia
meu ser
sol

nessa briga 
de água e ferro
a destreza nas correntes
liquidez
levará a melhor!
pois sou aquela
que não se agarra
nem se prende
quem pode deter
o que transborda? 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

deixar partir

A porta
Se fechou
Com o passado 
Nove anos
Nove dores 
E eu te deixo
Me permito partir
Não, não sinta
Deixe que eu sofro
Por nós
Faz parte
Do meu vício
Ter o que não é meu
Não venha
Nem queira mais
Já me esqueci
Já deixei
O que não deveria
Ser, existir
Hoje eu senti
O gosto salgado
Da sua ausência

segunda-feira, 1 de junho de 2015

lua cheia em escorpião

quando tudo
parece
tão complicado
dolorido
minha única 
vontade é
estar aí
ou aqui
nos seus braços
eu, sua fuga
você, meu refugio
apenas
ser e estar

(furor, frenesi)...

sábado, 23 de maio de 2015

sobre quedas

me atiro sem medo
abismo
não vejo partidas, nem finais
sinto
se a queda doer
não importa
o prazer da entrega
o vento na cara
enquanto me deixo, solto
cura qualquer joelho ralado

o vermelho do meu sangue

me apaixono por homens 
que não sorriem
homens fechados
sisudos e enfadonhos
egoístas 
apenas querem sugar meu gozo
matar sua sede
depois se vão
não deixando nada 
além de vazio
suor no lençol
marcas no meu corpo
porém, levam consigo
carregam meus pensamentos
meus beijos
o vermelho do meu sangue
não sou de lamentar
romântica sem cura
pra mim amor tem gosto de doença
sadismo
é, as vezes dói
demais
paixões platônicas
doem, e a dor vicia

sexta-feira, 22 de maio de 2015

aniversário

alguém trás o domingo?
parece que vivo
9 anos dentro de 12 meses
quero logo 
que passe
voe
não aguento mais os dias
não passam mais as horas
insuportáveis segundos
quero dormir e acordar 
no dia do meu renascimento

além do corpo

Por que despertaste em mim
tantas e tantos
sentidos
desejos
nem sei mais
se consigo mais
suporto demais
naufrago
queria te deixar
me deixar
mas não permito
consumo a ausência
o silêncio   
sem uma palavra
sem um aceno
reserva-te
só mente
não divide nada
além do corpo





Eu escrevo pra mim
sobre mim
É como se
O que eu sinto 
Aqui
Dentro
Não coubesse mais
Aí transbordo
Fluindo pela caneta
No papel
Não escrevo pra satisfazer
Punheteiros
Mas se dá prazer
Pois bem
Siriricarei
Que seja o gozo
Escorrendo entre as pernas

quarta-feira, 20 de maio de 2015

mercúrio retrogrado

mercúrio retrogrado me impede de falar tudo que penso por motivos de ser mal entendida.
tendo eu mercúrio em touro, sei que isso sempre será problema
falarei sobre o que sinto, então
e meus pensamentos ficarão pra mim
ou pra quem quiser ouvi-los sem julgamentos
por isso repito: não sou feita pra pessoas rasas
a superfície do rio não fala sobre mim, sou profunda demais
mergulhar é preciso, se faz necessário
se você tem medo, nem tente
se tentou, prossiga com cor agem

terça-feira, 19 de maio de 2015

sobre regras

Você acha que está preso
Que eu vivo em liberdade
Mas como é viver livre 
Se a realidade me aprisiona?
Se pra estar contigo 
É preciso me conter
Ter padrões, horas, dia exato
Não sou livre
Sou presa
Amordaçada
Aflita
Quero braços
Que não são meus
Quero boca
Que não é minha

quinta-feira, 14 de maio de 2015

ensaio da vida

construí esse blog há 5 anos trás
queria escrever
fazer da minha vida um verso mais bonito
tornar sentido o que não tinha
viver
conheci pessoas que me ajudaram
sou grata pela inspiração, apoio
iniciativa
hoje estou aqui
em outro espaço
outro computador
muito diferente daquela época
mas lembrando claramente o porque  de retomar o sonho que sempre tive
quero me colocar no mundo, deixar minha marca
mesmo que ela seja ácida, visceral e até mesmo indigesta
me desculpem, ou não,
não posso ser outra coisa
esta sou eu hoje
depois de muita pancada
muita burrada
desilusões 
meia duzia de paixões
um casamento desfeito
filhos perdidos
amores impossíveis
permaneço, sobrevivo
cheia de cortes, faltando pedaços
porém, inteira!

Nella ( gosto quando me chamam assim)

quarta-feira, 13 de maio de 2015


sobre abolição

Sou livre?
Nem percebi!
O que são essas correntes
Em minhas pernas?
Posso ir onde eu quiser
Fazer o que quiser?
E essa mordaça
Me impedindo de gritar?
Sou livre
Nessa sociedade racista
Machista
Hipócrita?
Acho que não
Certeza que não
Houve abolição

insônia

Fui dormir
Você veio
Deitou-se ao meu lado
Levou meu sono
Meu sossego 
Trouxe inquietude

Devaneios
Quero suas mãos
Em meios seios
Seus braços

Corpo todo
Pelos do peito
Fecho meus olhos
Vejo você aqui
Respirando, suspirando
Passando a mão
Em meus cabelos
Costas
Ah!
Porque roubaste a calma
Minhas certezas
Meu coração?
Devolva-os, ou fique aqui

Até eu dormir
Até eu sucumbir
Só mais um pouco..

sábado, 9 de maio de 2015


esse é meu ultimo mês
talvez seja minha ultima postagem
de uma liberdade tardia
pseudo livre
as amarras que me prendem
a realidade da vida
destroem minha poesia
nesses 9 meses eu morri
renasci
ainda não aprendi 
a andar 
não sei mais quem sou
perdida num mundo
que não me aceita
não me respeita
não me ama
onde não me encaixo
nesse abandono
desengano
não me encontro
talvez seja só melancolia
aquelas "bad trip"
no dia seguinte
não sei
só sei que sinto
por sentir demais
me abismo

Sobre os vários nãos Não é que uma hora cansa Não, não é isso Todos os dias são cansativos E chega um dia Que o peso se torna insuportável N...