segunda-feira, 16 de outubro de 2017

os dias passam
feito nuvens de chuva
não consigo esquecer
nossa noite
teu rosto desenhado
na minha retina

cada gemido
cada mordida
intensidade
da nossa paixão

seu corpo
é meu vicio
carreira de pó
ponta da ganja
lambo, chupo
até o final

sem medida
sem pausa
sem folego

gosto assim, entregue
de quatro
me pendido
me come, me fode
lindo
pleno
como os versos
que fiz na sua parede
com batom rosa

quero denovo
insaciavel
ansiosa
deixando rastros
no seu lençol
pra você não esquecer
que eu gozei
muito
até sucumbir
explodir na sua boca

desculpa, foi mal
não te telefonei
mas to aqui
escrevendo esses versos
e querendo
esperando
sempre
você

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Corpo movimento
Corpo evento
Que transborda
Desassossego
Corpo que reclama
Do peso
Da vida
Corpo imenso
Intenso
Corpo sem lugar
Sem lar
Corpo ocupação
Sou uma onda
Tempestade
Maremoto
Um Tsumani

terça-feira, 4 de julho de 2017

Sonho com o caminho da sua casa
Todos os dias
Passeio pelos trilhos do VLT
Vou de boteco em boteco
Te procurando
Numa garrafa de cerveja
Só encontro mágoa
Solidão
Já foi o tempo
Que te ver chapado me dava tesão
E sua boca era meu refúgio
Meu naufrágio
Uma noite era o bastante, sempre achei
que eu só queria paixão
Mais uma foda
Pra guardar de recordação
Quando eu tiver bem velhinha
Paro alguns versos desse poema
E sinto sinto ciúme
Porque até esse verso te beija
Menos eu
Ainda sinto a flecha
Que você atirou no meu coração
Seu gosto na minha boca
Escrevo
Tinha tanta coisa pra dizer
E eu só fiz poesia
Eu só gemia
Pra dizer que te amava
Enquanto os bares fechavam
Não tem mais samba
Eu sou aquela moça que canta
Alcione e chora
Pedindo pro amor voltar

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Sou tão
Transparente
Que tu enxergas
Através de mim
E não me percebe
Sangrando


Daqui a pouco
A lua em touro
E eu já farejo
Seu cheiro
De cravo e canela
Já degusto
O sabor
Da sua boca
Já sinto
Suas mãos
Em meu corpo
Transpiro
Inspiro
Profundamente
Mas a sede
É pelo vinho
Seco
Que saí do seu
Sexo
Meu coração acelera
Dói
Como estômago vazio
Não tem jeito
Pois tenho fome
E você é
Meu prato
Principal


(Ao som do blues ou do jazz
Ou só minha voz mesmo)

#luaemtouro
#vênusemtouro

domingo, 18 de junho de 2017

sábado, 17 de junho de 2017

deja vu



Cada
Estocada
Na
Minha
Boceta
Eram
Todas
No
Meu
Coração
Hoje vi um nome
Tão lindo
Que parecia poesia
"Fulano del Mar"
Não sei se é mesmo
De batismo
Alcunha
Ou de poeta
Mas é tão bonito
Ter o mar no nome
Marina
Mariana
Marília
Tem nome d'água
É ser poesia
Eu tenho nome de árvore
Não sou lá essas coisas

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Tem tanta
Coisa
Pulsando
No meu
Coração
Que eu
Não
Consigo
Dizer
Nem
Escrever
Preciso
De outras
Drogas
Novos
Corpos
Que suportem
Esse
Maremoto
Que
Mora
No meu peito
Poetiso
Meus desejos
Minhas vontades
A velha fome
Camuflada
Em angústias
Que brotam
Em meio peito
Líquido
Não há poesia
Nas violências
Que sofro
Cotidianamente
Elas me secam
Não crescem
Flores
Na minha margem
Essa é a dureza
De ser rio
Nesse mundo
Deserto


Me apaixono
Mesmo!
Fico de quatro
De lado
Até dou
Vexame
Acho um tédio
Viver sem paixão
É como um
Vício
Um vírus
Não quero ser
Nem estar
Imune
E lá vou eu, denovo
Porque sempre
Me fodo
Mas também
Sempre
Gozo
No final

terça-feira, 13 de junho de 2017



Eu entro com a pedra
Você com a cabeça

Eu entro com o pau
Você com a boceta

Eu entro com a sede
Você com a cerveja

Eu entro com o fogo
Você com a fogueira

Eu entro sem medida
Você entra inteira

Eu entro com o corpo
Você com a caneta

Inspiração
Lembra?
Das vozes
Ofegantes
Das fotos
Insinuantes
A promessa
Do beijo
Do gozo
Eu lembro
Vivo de lembranças
E depois escrevo

segunda-feira, 12 de junho de 2017

domingo, 11 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Me
Desejar
É
Fácil
Quero
Ver
Me ter!
Paixões que duram
Uma gozada
Amizades que duram
Quase nada
Acho 
Que devo ser
Ruim de cama
Ou
Em fazer drama
Minha vida
É um boteco
Sem freguesia
Passou o ponto
No final
Nada deu certo
Nem sei se
Um dia dará
Escolhas erradas
Mudança de planos
Apostas lançadas
Só jogo de azar
Quando acho que pode
Não deu
Quando acho que foi
Já era tarde
Tempo acabando
Cansaço
O corpo não é
Mais o mesmo
E quem me segura é orixá
Não tem mais nada
Nem tesão
Nem paixão
Amizade
Família
A poesia feita na marra
Embriagada
Quase um pedido
De socorro
Aliás
Vivo pedindo desculpa
Pode querer demais
Por ventar demais
E por essa fome
No meu peito
Que não passa
Eu já não peço mais nada
Foda-se

domingo, 4 de junho de 2017



Então
Você se cansa
De atravessar temporais
Se enjoa
De contemplar
A ressaca
Dos meus olhos
Seu coração
Quer calmaria
Em mim só achou
Tempestade
Agora procura
Um porto seguro
Outro cais
Segue navegando
Sem dizer adeus
Sem olhar pra trás
Desculpe
Precisar de tanto
E você, tão pouco


De todos
Que passaram
Pelo meu
Corpo
Só tu deixou
Em minha
Boca
O gosto
Agridoce
De saudade


Sofro de domingos

terça-feira, 16 de maio de 2017

Como conter
Essa vontade
De te provar
Te devorar
Naufragar
No seu corpo?
Você é como
Mar no verão
Que me chama
Que reclama
Minha presença
E eu quero
Mesmo
Mergulhar
Transpirar
Você
Cada 
Segundo
A todo instante

Maio, 2016

Meu corpo gordo
Forte, farto
De tão larga
Imensidão
Não cabe
Nesse mundo
Pequeno
Feito sob medida

Meu corpo gordo
Que é o infinito
Quer fogo
Terra e ar
Água
Absorvendo
Minhas paixões
Portanto, vivo
Intenso
Sem regras
Sem padrão


"Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel"

Caetano Veloso

sábado, 6 de maio de 2017

Sou tão covarde por ainda estar nessa cidade Me sinto inútil Mais um ser sobrevivendo Nessa terra que fede mais que as sojas no cais Tudo aqui é permitido, na encolha As pessoas vestem máscaras e saem por aí Achando que não percebo sua verdadeira face Eu tenho nojo daqui Engulo o vômito várias vezes Pra continuar a ter um teto Enquanto eu queria mesmo Era fugir pra qualquer lugar Não sei como alguém consegue Respirar esse ar cheio de hipocrisia Eu não consigo Talvez seja esta minha sina Apodrecer aqui Enquanto definho Esporrar essa cidade de verdade Nua e crua!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Eu não faço amor
Eu fodo!
Tem coisa mais bonita
Que se fuder
Nos outros?
Não fala que
Me ama
Diz que quer
Fuder minha vida
Que eu gamo

Contém ironia
As melhores poesias
Fiz caminhando
Com minha mente geminiana
Destilando inquietações

A cada passo forte
Surge uma frase
Solta, coloco uma
Na outra
Forjo
Aço e água

Deve ser minha natureza
De vento
Minha veia correnteza
Funciono melhor
Em movimento
Feito nuvem
Feito rio

Não paro de
Pulsar

áudio do poema

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Se eu entrasse
Pela sua porta
Com o cabelo molhado
O corpo tremendo
De desejo
Você me deixaria entrar?

Se eu pedisse um beck
Pra beber um vinho
Ouvir você tocar
Baixinho
Você deixaria eu ficar?

Já sei
Um ano é tempo demais
As águas não voltaram
Nem a chuva regou
Minhas mudas de manjericão
Eu queria a cerveja na mesa
Comida no fogo
E colocar um vestido branco
Combinando com a renda do abebé

Agora, vivo de ilusão
E do seu sorriso
Naquela foto antiga
Você tinha razão
Não tenho juízo

Agora, tudo passa
Na velocidade da flecha
Que você deve disparou
Saudade é palavra de ir
E você foi embora
Levando meu quadro é meu coração

quinta-feira, 30 de março de 2017

A lua já está em touro
E você​ negou este corpo
Que sedento pede
Pra ser devorado

Nada é mais prazeroso
Que se dar
Que se perder
Que se achar
Em outros braços
Nada mais odioso
Que se contentar
Com o prazer solitário
Da minha mão imaginando a sua
Enquanto percorro meu sexo
Segue a secura na pele
Na falta do suor
Segue a fome na boca
Que pede a sua
Segue o sangue quente
Correndo em minhas veias
Como uma sina sem fim

quarta-feira, 29 de março de 2017

Meu último dia aqui
Chega de se esconder
Tem coisa que não muda
E aqui dentro é o problema

Eu não sou diferente
Eu não sou melhor
Sou tão igual
Quanto tantas outras
Tão parecida com todas

No final de tudo
Somos loucas
Somos difíceis
Somos intransigentes

No final
Quando atingimos seu ego ferido
Somos tudo que você amou
Mas passou a odiar
Em segundos, em minutos

Minha poesia atinge
Sua artéria como faca afiada
Eu sangro todo mês
E tô viva!
Homem
Caga 
Tudo

E eu
Cheia 
Dessa
Merda!


segunda-feira, 27 de março de 2017

Como você vive
Se dentro do peito
Tem um oceano
Que a cada lunação
É calmaria
Ou maremoto?
Respondo
Ou aprende a nadar
Ou faz como eu
Continuo me afogando

domingo, 26 de março de 2017

Eu não tenho nada
Moro de favor
Não tenho dinheiro
Sem rumo e sem lugar

Você me vê sorrindo
Numa foto
Esse sorriso não existe
Voce me vê ao lado
De um home que não me ama

Eu sou um enfeite
Um troféu

Eu sou um estorvo
Um mal necessário

Nunca tive paradeiro
Nunca tive porto

Sempre andei por aí
Me deixando no caminho
Sendo sugada
Por homens parasitas
Atrás do meu sexo, do meu brilho

Eles brilham ao meu lado
Roubam minha pouca alegria

Você que acha minha vida
Um sonho
Não sabe que vivo em pesadelo
E que nunca vou acordar
Sobre afetividades

Eu não sei amar
Ninguém me ensinou
Com meus pais
Afeto é comida na mesa
Roupa limpa, um teto
Nada mais
Eu acho bom até
Abrigo é melhor que nada

Ninguém pegou na minha mão
E falou que amava
O primeiro que se ajoelhou
E disse que ficaria ao meu lado
Na tristeza e na doença
Me cortou tão fundo
Eu não quero mais sangrar

Minhas lembranças doem
Cada homem que amei me matou
Me mutilou
Não quero seu amor
Esse amor doente
Que vive de passado
Que confunde desejo com carinho
Que nos meus olhos não enxerga alma

Eu digo adeus todo dia

os dias passam feito nuvens de chuva não consigo esquecer nossa noite teu rosto desenhado na minha retina cada gemido cada mordida ...